Tecnologia não é tudo
A evolução tecnológica não significa evolução de conteúdo e essência; somente aumenta os meios de expressar e propagar efemeridade para todos. Será?

Como muitos sabem, sou músico, além de designer. Há tempos, venho fazendo um comparativo dos mundos da música e do design, ambos afetados (positiva ou negativamente) pelos avanços tecnológicos e computacionais.
Uma pergunta que sempre foi corrente nos meios musicais: porque, com os avanços tecnológicos, a maior facilidade em ter acesso a bons materiais de estudo e referência, a qualidade da música não melhora?
Mesmo que o profissional/estudante tenha acesso às mais diversas tecnologias, o nível continua inalterado, isso por um simples motivo: alma.
Sem alma, sem inspiração e sopros criativos, de nada adiantará o acesso a modernos recursos tecnológicos, pelo fato de que o maior valor que podemos agregar a qualquer coisa que façamos está em nossas mentes, em nossa capacidade de criar e de enxergar o mundo pelo prisma personalizado, que nós mesmos podemos criar. Ou não.
Só a tecnologia não melhorará a vida de ninguém, não tornará as diferenças menores, não trará um mundo melhor ou coisa que o valha. Muito mais importante que os modernos recursos tecnológicos são os conceitos, a idéia do crescimento em sociedade, da ampliação das possibilidades de quem nada pode ver além das condições atuais segregadoras e disformes.
Como trabalhadores diretamente ligados com tecnologia em nossas vidas, corremos o risco de a cultuar como mão salvadora das vidas, como razão de existência.
Corremos o risco de esquecer que todas as novidades devem vir de encontro com a necessidade de melhoria contínua do ser humano, da vontade de superar dificuldades e seguir em frente.
A tecnologia deve correr no sentido da melhoria da sociedade, para todos os que fazem parte dela, sem exclusões de qualquer tipo. Deve poder ajudar a todos, ser acessível e conduzir a sociedade para um novo mundo de possibilidades livres e democráticas.

Manda ver!